Plantação de bananas no Brasil pode estar em perigo

Notícias
Tipografia

O Jornal Entreposto, recentemente, em abril deste ano, realizou uma edição especial relatando o cenário nacional da bananicultura. Nele, foi mostrado que o Brasil ocupa uma posição de destaque no âmbito mundial. Sendo um dos principais produtores de banana, ficando entre a terceira e a quarta posição, segundo os dados do IBGE. Por ano, são produzidas cerca de 7 milhões de toneladas. Porém, o País está preocupado com a propagação de um fungo que vem atingindo outros países e devastando todo o cultivo da fruta. Classificado como Raça 4 tropical, ou TR4, é uma nova subespécie do agente patogênico causador do Mal-do-Panamá. Ela ataca as variedades da prata, maçã e nanica. 

O TR4 foi detectado, pela primeira vez, em Taiwan, em 1990. Ele se espalhou rapidamente, destruindo plantações na Indonésia, Malásia, Filipinas e norte da Austrália. Nos últimos três anos, o fungo infectou fazendas no Oriente Médio, África e Queensland, levando a ONU – Organização das Nações Unidas a requisitar quase US$ 50 milhões em recursos para combater a epidemia. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA emitiu uma nota que Governo fará campanha para evitar o ingresso do fungo que ameaça as plantações. No continente americano, ainda não foi encontrado e a sua introdução poderia trazer sérios problemas para a produção de bananas, alimento básico e considerado chave para a segurança alimentar. 

"É difícil falar em termos reais, as probabilidades de a TR4 entrar no Brasil, mas eu diria que são altas e pode ser questão de tempo. O fungo pode entrar por diferentes vias, como solo contaminado em sapatos, ferramentas, mudas de bananeira – visivelmente sadias, mas infectadas –, além de plantas ornamentais que podem também ser hospedeiras", conta Miguel Angel Dita Rodriguez, engenheiro agrônomo da Embrapa.

O Ministério da Agricultura, por meio do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), juntamente com pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura estão desenvolvendo o Plano Nacional de Contingência, que prevê a adoção de medidas capazes de evitar a sua introdução no território nacional. “É preciso impedir a introdução, no País, de mudas de bananeiras sem garantias fitossanitárias adequadas, porque mesmo, as mudas assintomáticas podem estar contaminadas pelo fungo. Caso a Raça 4 Tropical seja detectada no País, medidas de erradicação de plantas, interdição de propriedades, restrições ao comércio de vegetais, a partir das áreas com a ocorrência do fungo, deverão ser adotadas, objetivando evitar a disseminação para novas áreas”, explicou o diretor substituto do departamento, Marco Antônio Alencar.

O Vale do Ribeira é a maior região produtora de bananas no Estado de São Paulo. Responsável por quase 90% da produção paulista. Sendo que a bananicultura é uma das principais fontes de renda para os moradores locais e de muitos empreendimentos agrícolas que retiram, da cidade de Registro, a fruta para a comercialização. Grandes empresas que atuam dentro da CEAGESP possuem a produção rural, nesta cidade, que fica há 200 km de distância da capital paulista, com aproximadamente 56.123 habitantes. “É uma região que tem muita umidade, e que se adaptou muito bem para o cultivo da banana. Ela fica em uma posição estratégica entre os estados de Curitiba e São Paulo. Então você consegue atender tanto a região sudeste e sul do país”, explica um dos sócios proprietários da Frutas Rocha, Oswaldo Rocha Filho.                                                                                   

Na região, uma equipe de auditores fiscais do Mapa realizou, do dia 3 a 7 de abril, a auditoria no Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para uma outra doença: a sigatoka negra da bananeira. É uma doença causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, originária das Ilhas Fiji (no Pacífico) e identificada em 1998, nos municípios amazonenses de Benjamin Constant e Tabatinga, de onde se espalhou para as outras regiões brasileiras. No estado de São Paulo foi constatada nos bananais do município de Miracatu, região do Vale do Ribeira em meados de junho de 2004 e após levantamento foi constatada em todas as regiões do Estado. 

Assine gratuitamente nosso newsletter e receba os informativos com as principais notícias da semana.