Cancro: Grande vilão da produção de laranja

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O Brasil é líder mundial de produção e exportação de laranja, Por ano, são mais produzidas 16 milhões de toneladas. O Estado de São Paulo é o principal produtor, com a produção anual de mais de 12 milhões de t anuais, segundo os dados do IBGE, em 2015. Na CEAGESP, a fruta é o produto mais comercializado. Segundo o balanço realizado pela Companhia, no ano de 2016, foram mais de 300 mil toneladas vendidas. 

Sendo que só no primeiro trimestre deste ano, já foram mais de 70 mil t. Nas principais Centrais de Abastecimento do País, a laranja, no mês de abril, apresentou queda de preços e também na quantidade de comercialização. De acordo com o Boletim Hortigranjeiro da CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento, a nova safra está com a colheita a todo o vapor, principalmente no Triângulo Mineiro e nos pomares de São Paulo. Tudo parece bem na plantação de laranja, porém, o inimigo número um que prejudica a produção, o cancro cítrico poderia deixar os números ainda melhores. Causado pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv. citri, o cancro ataca todas as variedades e espécies de citros, tais como laranjas, limões, limas e pomelos, entre outros. Não há medidas de controle capazes de eliminar completamente a doença. As plantas quando infectadas e a eliminação da bactéria de uma área exige a erradicação das plantas doentes e das demais suspeitas de contaminação.

Segundo a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas, ainda não existe método curativo para a doença, a única forma de eliminar o cancro cítrico é por erradicação do material contaminado. No entanto, só a erradicação das árvores contaminadas não garante a eliminação da bactéria causadora do cancro cítrico. Também é importante eliminar as rebrotas (brotar novamente) que surgem na área onde foi realizada a erradicação e queima das árvores. Essas rebrotas podem estar contaminadas pelo cancro cítrico. Todo o material, como enxadas, máquinas e implementos, trator e grade usados na eliminação das rebrotas devem ser pulverizados com bactericida. 

Em 6 de setembro de 2016, o Ministério de Agricultura publicou uma norma, que estabeleceu medidas para o controle do cancro cítrico em todo o Brasil, abrindo a possibilidade para Estados com a incidência da praga adotar novas estratégias de controle que não fosse exclusivamente a erradicação da planta doente. Após avaliação técnica, o Ministério reconheceu, no mês de março deste ano, o Estado da Bahia como área de praga ausente para o cancro cítrico. “Temos desenvolvido um trabalho no sentido de fortalecer esta cadeia produtiva. O reconhecimento concedido pelo Mapa é a prova do comprometimento do governo do estado com a citricultura baiana”, disse o secretário estadual da agricultura, Vítor Bonfim. A Bahia é o 2º maior produtor nacional de citros, com área plantada de quase 64 mil hectares, produzindo cerca de 170 mil toneladas de frutos e gerando receita bruta de R$ 74,9 milhões.

De origem da Ásia, o primeiro registro da doença aqui no Brasil foi, em 1957. O MAPA também oficializou, no dia 27 de março deste ano, o sistema de mitigação de risco para o cancro cítrico nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e São Paulo.  Dados do sistema Gedave - Gestão de Defesa Animal e Vegetal, com base nas informações fornecidas pelos produtores mostram que em 2016 foram erradicadas 50.871 plantas cítricas com sintomas de cancro cítrico, em São Paulo.

 

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