Desperdício de alimentos e a Cadeia do Frio

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Apesar de chocantes notícias que envolvem a falta de seguridade alimentar são comuns. Infelizmente as principais vítimas são as crianças, principalmente as mais pobres. A fome e o consumo de alimentos não próprios para o consumo ainda fazem parte do dia a dia.

Entretanto, a falta de alimentos pode ser em muito ser amenizada se políticas adequadas de gerenciamento da cadeia do frio forem adotadas no mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. 

Segundo dados da FAO  um terço da comida produzida do mundo, aproximadamente 1,3 bilhão de toneladas, é desperdiçada, representando um gasto de cerca de US$ 680 bilhões nos países industrializados e US$ 310 bilhões nos países em desenvolvimento.

No setor de pescados, por exemplo, a perda chega a 35% sendo que a etapa de distribuição é responsável por 20% deste desperdício. Os principais pontos de falha na cadeia do frio que causam desperdício de alimentos são:

a) Armazenagem – Seja de longo ou curto prazo – Apesar dos centros de armazenagem e distribuição da cadeia do frio possuírem instalações refrigeradas a movimentação dos produtos de e para estes locais deve ser executada rapidamente;

b) Empacotamento e processamento dos alimentos – Alimentos que devem ser processados antes do consumo devem ser manipulados em ambientes refrigerados;

c) Distribuição – Os alimentos devem ser transportados em veículos / containers que garantam as condições ambientais para a sua conservação;

d) Comércio – Além da manutenção das condições ambientais dos pontos utilizados para a exposição do produto ao consumidor final os processos de reabastecimento e consumo devem minimizar a troca de calor com o ambiente. É importante notar que até o consumidor final também é responsável nesta etapa, por exemplo, o consumidor deve garantir o correto empacotamento do produto para o transporte até sua residência.

Uma das formas de se garantir a segurança alimentar e amenizar o desperdício destes produtos é a adoção de tecnologias que rastreiem continuamente as condições ambientais a que são submetidos e que reportem de forma instantânea qualquer anomalia.

Existem no mercado diversos dispositivos com esta finalidade, infelizmente, o monitoramento contínuo ainda apresenta um custo expressivo quando comparado a soluções que apenas indicam as condições inapropriadas nos pontos de transição da cadeia de suprimentos.

Além do monitoramento contínuo dispositivos que garantam o isolamento térmico por mais tempo também são promissores. Entretanto apenas a tecnologia não é capaz de garantir um gerenciamento eficiente da cadeia do frio, é necessário que as pessoas que dela fazem partem tenham uma visão holística de todos os seus processos e que estejam comprometidas com a eliminação deste tipo de desperdício.

*Vinicius de Martin Viude é um dos coordenadores do curso de Pós-Graduação de Logística da Cadeia do Frio do SENAI.

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