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Perdas e desperdício de alimentos: um olhar para o futuro

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Perdas e desperdícios de recursos significam que apenas uma parcela desses recursos atende ao que se destina. Sejam recursos hídricos, financeiros, ambientais, energéticos ou alimentares.

O Brasil apresenta extensões continentais, disponibilidade de terras férteis, recursos hídricos, clima favorável, baixo custo para produção de carnes e alimentos. Assim, grande parte do PIB brasileiro provém do agronegócio.

Além de ser um pilar econômico, a agricultura brasileira é responsável pelo abastecimento de alimentos em diversas partes do mundo.

Um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) é a fome zero até 2030. Nota-se um desequilíbrio na alimentação humana: quando aproximadamente 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, há também aproximadamente 2 bilhões de pessoas obesas.

É necessário haver um equilíbrio na distribuição de alimentos, com educação alimentar por um lado e disponibilidade de alimentos do outro.

Estima-se que 24% de todos os alimentos produzidos no mundo para consumo humano por ano são perdidos e desperdiçados. Em países mais pobres, a porcentagem das perdas é ainda maior. Nestes países, as técnicas para colheita e pós-colheita são inadequadas ou obsoletas.

Técnicas para armazenagem, transporte, embalagem, comercialização, refrigeração e mesmo infraestrutura, são precários.

Outra meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável é reduzir pela metade as perdas de alimentos desde a produção até o abastecimento, tratando das perdas pós-colheita e desperdícios per capita no varejo e no consumo.

Muitos varejistas tratam como rejeito produtos que apresentam algum problema visual, mas que ainda possuem valor nutricional. Consumidores também tratam como restos muitas partes dos alimentos que poderiam ser aproveitadas.

As perdas na fase de produção, processamento, armazenamento, manuseio em supermercados e pelos consumidores resultam em 780 milhões de toneladas no mundo. Assim, 28% das terras cultivadas no mundo geram produtos que vão para o lixo.

Isso representa perdas de recursos energéticos, que muitas vezes provém de fontes não renováveis. Representa também perdas de recursos hídricos, além de gerar uma pressão para os ecossistemas da terra, na biodiversidade, e geram emissão de gases do efeito estufa (GEE).

Evitando-se essas perdas haveria melhor aproveitamento das áreas plantadas, sem a necessidade de aumento.

Existe a necessidade de aumentar a produção de alimentos em 60% até 2050. Reduzindo-se as perdas e desperdícios essa meta é muito mais facilmente alcançada, visto que os alimentos já são produzidos. Resta fazer com que cheguem ao destino, que é alimentar as pessoas. Nos países em desenvolvimento observa-se perdas devido a problemas gerenciais e técnicos.

Existem deficiências na colheita e na pós-colheita. A falta de conhecimento impede que tecnologias simples e de baixo custo sejam implantadas e façam a diferença.

Um agravante é o baixo preço recebido pelos agricultores que os desencoraja usar tecnologias para gestão, produção, comercialização e conservação dos produtos. Na maioria dos casos, o retorno dos investimentos acaba sendo inviabilizado ou negativo.

Parte do desperdício de alimentos está muito ligada também à forma como os alimentos são valorizados e consumidos. O planejamento alimentar para compra e consumo pode ser trabalhado conscientizando-se os consumidores.

Dessa forma, é importante tratar o assunto das perdas e desperdícios nas escolas e com políticas públicas. Espera-se que num futuro próximo o Brasil possa atender grande parte da demanda de alimentos no mundo, sem que ecossistemas sejam afetados. Espera-se também que a sociedade possa agir em conjunto, com produtores remunerados de forma justa e com acesso e retorno de investimentos em tecnologias.

Espera-se também que comerciantes e consumidores tenham consciência a respeito do alimento que têm em mãos, valorizando e aproveitando este alimento da melhor forma. O equilíbrio e a educação alimentar podem reduzir a quantidade de pessoas obesas.

Espera-se que, com empenho em conjunto, o objetivo 2 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU seja alcançado: Fome zero e agricultura sustentável.

Autor

Juliana Aparecida Fracarolli  - Professora universitária de Engenharia Agrícola

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